24.09.26

“Câncer infantojuvenil: quando o diagnóstico precoce pode mudar uma história” | Artigo de especialista do Martagão Gesteira

“Câncer infantojuvenil: quando o diagnóstico precoce pode mudar uma história” | Artigo de especialista do Martagão Gesteira

Artigo escrito por Paloma Assunção, coordenadora de enfermagem do setor de oncologia do Martagão Gesteira

Quando uma criança adoece, toda a família muda sua rotina. Quando o diagnóstico é câncer, surgem medos, dúvidas e incertezas. Mas existe algo que pode fazer diferença desde os primeiros sinais: o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado em um serviço especializado.

Diferentemente de muitos cânceres em adultos, a maioria dos cânceres infantojuvenis não está relacionada a fatores de risco modificáveis conhecidos. Por isso, a atenção aos sinais de alerta e a investigação rápida são fundamentais. Entre os tipos mais frequentes estão as leucemias, seguidas pelos tumores do sistema nervoso central e pelos linfomas, além de outros tumores sólidos. No Hospital Martagão Gesteira, as leucemias também estão entre os diagnósticos mais frequentes, seguidas pelos linfomas.

Febre persistente ou recorrente, palidez, cansaço sem explicação, sangramentos ou manchas roxas, dores ósseas persistentes, aumento de gânglios, perda de peso, alterações neurológicas ou aumento do volume abdominal são alguns sinais que merecem atenção, especialmente quando persistentes ou associados a outros sintomas.

É importante lembrar que esses sinais, isoladamente, não significam que a criança tenha câncer. Muitas vezes, eles estão relacionados a doenças comuns da infância. O alerta está na persistência, na combinação de sintomas ou em mudanças que fogem do padrão habitual da criança. Nesses casos, a avaliação médica e a investigação adequada não devem ser adiadas.

No Martagão Gesteira, um dos diferenciais é ser uma instituição porta aberta para investigação, favorecendo o acesso de crianças e adolescentes com suspeita da doença à avaliação especializada. Esse trabalho é ampliado pela navegação em oncologia, que atua também na educação em saúde e em ações extramuros, aproximando informação, comunidade e serviço especializado.

E cuidar de uma criança com câncer vai muito além de tratar a doença. O tratamento exige uma atuação multiprofissional e integrada, envolvendo diferentes profissionais e estratégias para atender não apenas às necessidades clínicas, mas também emocionais, sociais e educacionais da criança e de sua família.

Pedagogos, brinquedotecas e espaços de convivência ajudam a preservar aquilo que não pode ser interrompido pelo diagnóstico: o direito de ser criança. Brincar, aprender, criar vínculos e manter, dentro do possível, uma rotina são também formas de cuidado.

Na oncologia pediátrica, buscar a cura é o objetivo, mas o caminho até ela também importa. Diagnosticar cedo, tratar corretamente e cuidar de forma humanizada e integrada é cuidar da criança por inteiro e não apenas do câncer.